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19 de novembro de 2010

Toca The Cure!!!!


Eu não me canso... praticamente toda sexta-feira eu ponho essa frase no meu msn. Ah, cara... Nada melhor do que The Cure na sexta!!! Aliás, isso aí em cima é uma estampa de camiseta que retrata fielmente "Friday I´m in Love" (sem fonte porque eu continuo displiscente com os direitos autorais na web).

Mas não é só por causa da sexta que esse post surgiu... Hoje eu tive mais uma agradável surpresa de aniversário... Ganhei um troféu!!! O primeiro ever in my life, porque nem troféu de dominó eu tenho... pensa numa pessoa destrambelhada no quesito práticas esportivas (é, eu sempre sobrava quando tiravam times na escola).

Bem, o tal troféu e The Cure fazem sentido porque a pessoa que me agraciou é fã inconteste de Smiths, The Cure e cia ilimitada. Trocando em miúdos:  o Blog Dois Perdidos na Noite me deu isso aqui, ó:




E olha, eu achei tão legal o que o DPNN escreveu, que vou transcrever aqui descaradamente:

'Categoria eu sou Diva (blog feminino): Malemolência em Série: Um blog escrito por uma garota, para colocar um pouco de estrógeno na lista. Ela é cabeça aberta, simpatizante, engraçada e escreve loooooongos textos saborosos. Mas não espere um blog " de menininha"! A Aline é mais moleque do que todos nós cuecas juntos! Ainda bem!"

Não preciso nem dizer que o ego da pessoa aqui saiu flutuando pela janela, né? Maior legals. Eu quero copiar essa ideia um dia, mas prá isso eu tenho que ter mais cacife, ainda tô engatinhando neste universo bloguístico...

Ah, na segundona eu aporto aqui prá falar de agendas, hehehe. Não vivo sem! Achei a minha escolhida de 2011 ontem, e já comprei a bicha. Coisa linda de mãe!

É, depois das eleições o Malê ficou superficialóide, né? Mas fazer o quê, nem só de profundidade vive este meu muquifo virtual.

Hasta!

28 de outubro de 2010

Jurumano Fever + lançamento Gizmo Filmes

A equipe editorial do Malê brinda seus milhares de leitores worldwide com uma bombástica novidade: Jurumano Junqueira live in concert! A banda irá se apresentar em Paraíba´s Valley, a 30km de Caraguá City, o pólo roquenrol do litoral norte de Sampa, praticamente a Seattle brasileira.


Traduzindo: Jurumano (banda do meu tio Allan), Cb. Adilson é amigo do meu pai (toca violão prá caraca), carteira & carteirinha provavelmente são meus irmãos (guitarra e batera, mandam muito bem), e o Dimão dos teclados é meu papito (quem disse que ele toca teclado? Aff, rsrs. No máximo meia dúzia de músicas do Cazuza, Raul e Legião no violão)


É bem verdade que o show era previsto para o último sábado (23/10), porém, fatores climáticos impediram a realização do mega evento. Enquanto aguardamos a nova data, preparamos nossos leitores com todas as informações da fazenda do rock. Prepare-se, pois o Jurumano promete pôr o SWU no chinelo!


Vista panorâmica da fazenda do rock

Vista do palco. Grande possibilidade de vislumbrar Ness, o mascote da fazenda.

Área VIP, a loira esfuziante em destaque é minha mãedrasta, Selma.

O deck onde será o palco.


Confome bem colocado pelo Papito Dimão, o evento, dada suas proporções e localização geográfica, será inevitavelmente comparável ao lendário show do Pink Floyd em Veneza.





Bem, e como o show não rolou, o tio Allan aproveitou prá fazer um barulho no quintal do meu pai junto com meus irmãos. E para terminar o fim-de-semana praiano com chave de ouro (18k, como sempre), ele lançou mais uma obra prima cinematográfica, a primeira produção da Gizmo Filmes fora de São Paulo (e com um elenco record maior de que três pessoas):


E assim que soubermos da nova data do Jurumano Live in Concert no Paraíba´s Valley, informaremos nossos leitores em primeira (ou segunda) mão. Aguardem!

4 de outubro de 2010

Metal contra as nuvens



Ontem foi um dia deprimente. Nublado, frio, com eleição e pilhas de texto pendentes prá leitura. Tem combinação mais enfadonha? Lá fui eu prá zona norte rever minha família e a antiga escola na qual estudei até a oitava série... A cada eleição vem uma onda nostálgica tirar do baúl os tempos melancólicos da EMPG Comandante Gastão Moutinho.

As paredes sujas e nojentas deram lugar a uma pintura impecável. Nunca pensei que o ambiente degenerado e escuro daquela escola fosse um dia se tornar tão iluminado e agradável (na medida do possível, claro). Agora o Gastão se parece mais com um hospital público do que uma estrutura carcerária. Grande avanço, não?

Trabalhinos escolares prá tudo que é lado. Salas de aula todas coloridas, violetas nas janelas (no plano físico mesmo, nada de divagações espiriteiras, rsrs), florzinhas de papel em tudo que era canto, em comemoração à primavera. Não vi uma pichação sequer, nem nas carteiras...

Diante deste cenário, que só vi melhorar a cada ano de eleição, não tinha como não fazer comparações com a minha época de estudante... Me lembro que tinha nojo de tudo que era canto... Acho que o nível de concentração de coliformes fecais alí era similar aos níveis do saudoso Carandiru. E a gente se sentia mesmo num pavilhão, era uma coisa de doido.

Pixação tinha prá tudo que era lado. Tinham as meninas da gangue local, a NPZ (até hoje não sei o que significa a sigla). Morria de medo delas, sempre fui cagona. Também já cheguei a ver na saída marmanjos com armas na cintura.

Tinha também o tio Carlos, que tratava a gente feito carcereiro. Quem corresse no recreio ele mandava ficar de pé encostado na parede do pátio até dar a hora de ir prá sala... e antes de ir, ainda fazia os transgressores catarem todo o lixo que os alunos jogavam no chão (o chão do pátio era nojento demais... tinha sempre uma camada escura melequenta de sujeira, misturada com restos de comida que todo mundo jogava no chão. Maior porqueira.)

Daí vem também as memórias políticas suscitadas por conta da eleição. Na terceira série (precisamente 1993), aprendemos a fazer conta com a inflação. Fiquei o ano inteiro recortando anúncios de supermercado e calculando, por exemplo, quanto o quilo do arroz custaria dali um mês... As contas tinham uns seis dígitos, o cruzeiro era mesmo uma coisa medonha, ainda mais em época de inflação.

Ah, a inflação!!! palavra que ouvia pelo menos três vezes ao dia... Às sete da noite jantávamos, depois vinha o Jornal Nacional. Ficávamos na sala com meu vô, sem entender uma palavra que o Bóris Casoy pronunciava (a não ser o "isto é uma vergonha"). Ouvia o tempo todo sobre inflação, e precisamente às oito da noite íamos dormir.

Lembro também da cara de galã do Collor, e depois do impeachmant. Das fitinhas verde e amarelo nas antenas dos carros e do sentimento de apatia quando se falava em política. Da vergonha de ser brasileiro e da total desesperança no futuro...

Política era uma coisa indecifrável que eu associava a  homem velho intelectual engravatado que aspirava a poder. Ou sindicalistas barbudos. Lembro do martelo de da foice, e ficava me perguntando o que era aquela maluquice toda, e porque do vermelho. Tanta parafernália que ainda transita na minha memória...

Quando cheguei em casa ontem, não consegui estudar. Tava muito cansada. Me desanimei a ponto de decidir trancar duas matérias da faculdade... e às onze e tantas da noite, voltei atrás... sempre que chego a este ponto de eutanásia, vem uma música que não me deixa desligar os aparelhos... Metal contra as nuvens.

Daí pronto, tudo se juntou e fez mais sentido do que nunca. Para além das milhares de interpretações que existem por aí, tenho comigo que essa música o Renato Russo fez quando das poupanças confiscadas. Quem me disse isso uma vez acho que foi minha irmã, e não consigo acreditar que exista outra interpretação melhor. Leia a letra, e veja se você concorda comigo.

E também é uma letra que fala de esperança, esperança de quem foi roubado e não exerga nada além de um futuro sombrio. Mas que não se entrega e confia, mesmo não sabendo no quê. Juntando a depressão puquiana com as eleições, cheguei em Metal contra as nuvens.



Metal Contra as Nuvens


Legião Urbana

Composição: Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá


I



Não sou escravo de ninguém

Ninguém, senhor do meu domínio

Sei o que devo defender

E, por valor eu tenho

E temo o que agora se desfaz.



Viajamos sete léguas

Por entre abismos e florestas

Por Deus nunca me vi tão só

É a própria fé o que destrói

Estes são dias desleais.



Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão

Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão

Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.



Reconheço meu pesar

Quando tudo é traição,

O que venho encontrar

É a virtude em outras mãos.



Minha terra é a terra que é minha

E sempre será

Minha terra tem a lua, tem estrelas

E sempre terá.



II



Quase acreditei na sua promessa

E o que vejo é fome e destruição

Perdi a minha sela e a minha espada

Perdi o meu castelo e minha princesa.



Quase acreditei, quase acreditei



E, por honra, se existir verdade

Existem os tolos e existe o ladrão

E há quem se alimente do que é roubo

Mas vou guardar o meu tesouro

Caso você esteja mentindo.



Olha o sopro do dragão...



III



É a verdade o que assombra

O descaso que condena,

A estupidez, o que destrói



Eu vejo tudo que se foi

E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes,

O corpo quer, a alma entende.



Esta é a terra-de-ninguém

Sei que devo resistir

Eu quero a espada em minhas mãos.



Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão

Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão

Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.



Não me entrego sem lutar

Tenho, ainda, coração

Não aprendi a me render

Que caia o inimigo então.



IV



- Tudo passa, tudo passará...



E nossa história não estará pelo avesso

Assim, sem final feliz.

Teremos coisas bonitas pra contar.



E até lá, vamos viver

Temos muito ainda por fazer

Não olhe pra trás

Apenas começamos.

O mundo começa agora

Apenas começamos





14 de setembro de 2010

Documentário exclusivo da melhor banda de todos os tempos!

Atendendo aos pedidos de milhares de fãs, a equipe do Malê contactou a melhor banda de 'roquenrol' de todos os tempos: JURUMANO JUNQUEIRA!


Jurumano Junqueira em seu primeiro álbum acústico

 Das garagens empoeiradas do Jardim Antártica, até os megas shows em Caraguatatuba. Essa é a trajetória de um grupo de amigos que saíram do anonimato e se tornaram a maior banda da história do Rock n´ Roll (depois do Led Zeppelin claro).

Há 15 anos surgia o "Jurumano Junqueira", fusão ente as bandas "The Best of Bostha" (Allan & Gizmo), e a banda "Jurumanus Band Orquest" (Elvis e Odair). Infelizmente divergências entre estilos e gostos musicais levaram o primeiro vocalista da banda a deixar o grupo no final de 2005.

Segundo os integrantes do Jurumano, "inicialmente ele começou com um tapinha de leve no pandeiro, depois partiu para um tamborim, em seguida mergulhou em coisa mais pesada como o cavaco e o reco-reco, até perder-se completamente no Samba. Tentamos um tratamento em uma clínica de reabilitação para ex-pagodeiros, infelizmente ele já se encontrava em estado avançado, estava usando óculos branco e camisa engomada, seus sapatos brilhavam mais que espelhos".

Com a saída dele, a banda perdeu muito em criatividade, uma vez que a maioria das letras era ele que compunha, deixando essa tarefa ao Gizmo e o Ponga. Hoje a banda abandonou completamente as canções próprias, e dedica-se única e exclusivamente a estragar a música dos outros.


E a você, que acompanhou a trajetória meteórica da banda desde o seu primeiro sucesso e não aguentava mais esperar por uma produção cinematográfica à altura do talento de seus integrantes, divulgamos em primeira mão (ou quase isso) o documentário especial em comemoração dos 15 anos de sucesso do Jurumano, produzido COM EXCLUSIVIDADE ao blog Malemolência em série.


E é com muita honra e satisfação que nós, da equipe editorial do Malê, brindamos nossos leitores com esta pérola, esta jóia rara, este diamante lapidado, esta pepita de ouro 18k, este arsenal de talentos inigualáveis.




Este documentário indubitavelmente renderá mais um sucesso de bilheterias da Gizmo Filmes!!!

E para coroar a celebração dos 15 anos da banda, o Jurumano lançou também sua mais nova coleção de bonecos, que já é um fenômeno de vendas no Brasil e no mundo. Os bonecos são articulados, e seu sistema eletrônico embutido permite que eles toquem os maiores sucessos da banda com um simples comando de voz. Mas atenção, os instrumentos são vendidos à parte.




Obs: Boneco "Gizmo" já está esgotado.
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Matéria:

Redação: Allan Camargo
Edição: Aline Camargo
Vídeo: Gizmo Filmes

Agradecimentos:

Assessoria de imprensa do Jurumano Junqueira
Todos os 3 integrantes da banda
Fã clube oficial do Jurumano
Gizmo Filmes
Santa paciência e criatividade do meu tio Allan


2 de setembro de 2010

Bota água no feijão, que eu tô voltando!



Senhoras e senhores, trago boas novas...

Depois de uma profunda jornada espiritual, eis que retorno ainda mais ávida e sedenta!

Hoje fui ao psiquiatra, e ganhei uns remedinhos prá depressão e bipolaridade. É, isso aí. BIPOLARIDADE.

Maior legal, entrei num site muito bom sobre o assunto e descobri porque num mesmo segundo eu tenho vontade de metralhar quem cruza meu caminho, adotar um gatinho abandonado e depois me jogar do 13º andar. Legal, né?

Cara, é muito bom descobrir de onde vem este turbilhão. Melhor ainda poder confiar em alguém capacitado prá tratar essas maluquices. Ou não...

Tudo bem que a médica que me atendeu parecia um chuchu de batom, uma velhota mal encarada candidata a "miss antipatia"...  Mas ok, encarei a vovó e vomitei minhas insanidades...

Agora vamos ver se eu consigo me concentrar mais. Ultimamente, o que mais me incomoda é a avalanche de ideias que invade minha cabeça, além da compulsão e da INTENSA irritabilidade (eu ainda vou ser banida da faculdade, tô começando a virar uma ameaça à sociedade).

Pois bem, não resisti ficar sem blogar...

Engraçado, me peguei pensando numa coisa estes dias. Um pensamento meio construtivista: é curioso como cada pessoa atribui a seu blog um significado diferente... e o usa de maneiras diferentes... e como isso tudo muda de acordo com o tema do blog.

Por exemplo, há muitos blogs "casamentícios" por aí, certo? São blogs de mulheres que querem dicas para a organização do casamento, etc. Eu gosto de acompanhar estes blogs prá ficar por dentro das novidades e tal.

Mas eu me irrito muito (nossa, que novidade!), com o jeito que estas meninas blogam. É uma jogação de purpurina que puta que o pariu... Prá você ter seu blog reconhecido, tem que sair rasgando seda a torto e direito. Você tem que usar a mesma linguagem (cara, elas escrevem feito retardadas...). Depois tem aquelas tranqueiras de "selinhos fofos" e bla, bla, bla...

Não me incomodam os selinhos, e muito menos as amizades criadas neste meio, muito pelo contrário. Desde que ambos sejam verdadeiros. Nada como criar laço genuínos, baseados no carinho e respeito... Nada como conhecer pessoas novas, com visões de mundo diferentes. Nada como expandir nosso mundinho interior. E não o nosso ego.

É essa "promiscuidade blogueira" que me faz pensar o que um blog significa prá cada um. E o curioso é que pode significar muita coisa. Prá uns, é um meio de promoção social, prá outros, um porto seguro para desabafar, e outros, um meio para canalizar sua ideias e criatividade.

Bem, prá encerrar o assunto, uma letra do Gabriel o Pensador (me gusta mucho!) do disco "Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo". Aliás, que disquinho esquerdista, hein, Gabriel... Parece que leu o Manifesto do PC antes de escrever as letras.

Maaaaas, por isso mesmo.... NOTA MIL!!!! Leia com paciência até o final... Principalmente o final, onde ele faz um jogo de palavras genial. Como sempre!!!

Voilá!


BRASA
Gabriel o Pensador

Um poeta já falou, vendo o homem e seu caminho:

"o lar do passarinho é o ar, e não o ninho".

E eu voei... Eu passei um tempo fora, eu passei um tempo longe.

Não importa quanto tempo, não importa onde.

Num lugar mais frio, ou mais quente de repente, onde a gente é esquisita, um lugar diferente.

Outra língua, outra cultura, outra moeda.

É, vida dura mas eu sou duro na queda.

Se me derrubar... eu me levanto, e fui aos trancos e barrancos, trampo atrás de trampo, trabalhando pra pagar a pensão e superar a tensão do pesadelo da imigração.

Clandestino, imigrante, maltrapilho.

Mais um subdesenvolvido que escolheu o exílio, procurando a sua chance de fazer algum dinheiro, no primeiro mundo com saudade do terceiro.

Família, amigos, meus velhos, meu mano - o meu pequeno mundo em segundo plano.

Eu forcei alguns sorrisos e algumas amizades.

Passei um tempo mal, morrendo de saudade.


Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade.


Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...


Da beleza poluída, da favela iluminada, do tempero da comida, do som da batucada.

Da cultura, da mistura, da estrutura precária.

Da farofa, do pãozinho e da loucura diária.

Do churrasco de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali dormindo, o coroa aposentado.

Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...

Da mulata oferecida, do pagode malfeito, de torcer na arquibancada pro meu time do peito.

A pelada sagrada com a rapaziada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.

Da malandragem, da nossa malícia, da batida de limão, da gelada que delícia!


Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...


Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas dos programas da TV.

Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral.

Do calor humano, do fundo de quintal.

Do clima, da rima, da festa feita à toa - típica mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro e da cor.

E do nosso jeito de fazer amor.
Agora eu sou poeta, vendo o homem a caminhar:

o lar do passarinho é o ninho, e não o ar.

E eu voltei. E eu passei um tempo bem, depois do meu retorno.

Eu e minha gente, coração mais quente, refeição no forno.

Água no feijão, tô na área, bichinho.

Se me derrubar... eu não tô mais sozinho.

Tô de volta sim senhor.

Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.

Mas o amor é cego.

Devo admitir, devo e não nego, que aos poucos fui caindo na real, vendo como o Brasa tava em brasa, tava mal.

Vendo a minha terra assim em guerra, o meu país... não dá, não dá pra ser feliz.

E bate uma revolta, e bate uma deprê.

E bate a frustração, e bate o coração pra não morrer.

Mas bate assim cabreiro.

Bate no escuro, sem esperança no futuro, bate o desespero.

Bate inseguro, no terceiro mundo, se for, com saudade do primeiro.

Os velhos, os filhos, os manos - ninguém aqui em casa tem direito a fazer planos.

Eu forcei alguns sorrisos e lágrimas risonhas.

Passei um tempo mal, morrendo de vergonha.

Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha.


Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...

Da beleza poluída, da favela iluminada, da falta de comida pra quem não tem nada.

Da postura, da usura, da tortura diária.

Da cela especial, da estrutura carcerária.

A chacina de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali pedindo, o coroa acorrentado.


Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...


Da mulata oferecida, do pagode malfeito.

Morrer na arquibancada pro meu time do peito.

O salário suado que não serve pra nada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.

Da malandragem, da nossa milícia, da batida da PM, porrada da polícia.


Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...


Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas de programa dos programas da TV.

Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral, do sorriso mentiroso na campanha eleitoral.

Do clima de festa, da festa feita à toa - ridícula mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro da carniça.

E do nosso, jeito de fazer justiça.


Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa, casa do meu coração.

Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa e a minha casa só precisa de uma boa arrumação.

Muita água e sabão.

Ensaboa, meu irmão.

Não se suja não.

Indignação.

Manifestação.

Mais informação.

Conscientização.

Comunicação.

Com toda razão.

Participação.

No voto e na pressão.

Reivindicação.

Reformulação.

Água e sabão na nossa nação.

Água e sabão, tá na nossa mão.

Tô morrendo de paixão, tô morrendo de paixão...



20 de agosto de 2010

Triple top 5 - Cazuza



Há, vou me divertir escrevendo esse post....

Então, todo mundo sabe que minha irmã e eu somos "Cazuzamaniacs". Na época do colégio era muito engraçado. Quando eu conhecia gente da minha idade que dizia gostar de Cazuza, tinha uma síncope, achava o máximo. Mas logo vinha a decepção. Eu ficava falando das letras que amava, e ninguém conhecia... maior tristeza.

Tudo bem que as letras mais conhecidas são bem legais. Mas tem muitas desconhecidas que são maravilhosas. E também tenho que admitir que ele tem umas letras horrorosas, fala sério... Por esses motivos, resolvi fazer um "triple top 5" das letras do Cajú: as 5 piores e, as 5 melhores mais ou menos conhecidas e as 5 melhores ilustres desconhecidas. Das boas daria prá falar de muitas, foi difícil escolher.

A ordem aqui é da minha preferência. Portanto, absolutamente contestável.

Clique nos títulos para conferir letras e vídeos.

Simbora.


As 5 piores

Começando com as piores, o que é mais divertido, hehehe.


Ah, cara... tosqueira total. Olha só:

"Meus olhos são bem grandes pra te secar

Minha boca é um bueiro que vai te sugar
E a minha narigona
Te cheira bonitona
Sou o lobo mau que veio da Ucrânia"

Tsc, dá um tempo.

2)Garota de Bauru

Ela não é um sanduíche, e prá não ser medíocre, tem que ser diferente de uma pizza... Palavras dele! Afff...


Amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata. Ok, metáfora legal. Mas o resto da música não ajuda.


Será que ele fez pro Didi Mocó?


É um rock tipo... nada a ver com nada. De um modo geral.


As 5 melhores - mais ou menos conhecidas

Agora sim, letras legais!


"Na moda da nova idade média / na mídia da novidade média". Cara, me arrepio toda!


"Subproduto de rock: será um tipo de nhoque?" E não é que ficou muito bom?


Cara, dá prá viajar com essa música. Prá brazuca que já esteve em Manhatan, então... Desculpe, Manhatã.
"Não sou mais paraíba / sou south american / aqui em Manhatã".


4)Down em mim

Blues rasgaaante! Mais ou menos conhecida com a regravação de Leo Jaime. 
"O banheiro é a igreja de todos os bêbados". Demais!

5)Por que que a gente é assim?

"Mais uma dose
é claro que eu tô afim
a noite nunca tem fim, baby
por que que a gente é assim?"

O Gabriel Pensador fez uma letra de mesmo nome, sobre alcolismo, e pôs este refrão do Cazuza interpretado pelo Frejat.


As 5 melhores - ilustres desconhecidas


Minha preferida! Adoro as metáforas e o arranjo... combinou tudo, perfeitamente. Me dá uma nostalgia daquelas.... me lembra o tempo de colégio, perfume Rosali e estrelinha do PT na camiseta do uniforme.


Maravilhosa! Arranjo perfeito, viajo no tempo... Minha segunda preferida.


Acho muito criativa... coisa que ninguém pensa: dar flores é dar morte. Você mata as bichinhas prá dar prá alguém. Mas é por amor!


4)Menina mimada

Muito legal e divertida. Tudo o que eu queria dizer a um bando de meninas mimadas que já cruzaram o meu caminho!


Forte, muito forte. E quem nunca se sentiu assim depois de um chute? E o mais legal, é que depois agradecemos por ele...

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É isso aí.

Queria poder ver outras Top 5, mas é difícil achar quem goste!

5 de agosto de 2010

Nomes antigos

É engraçado como os nomes próprios acompanham gerações, demarcando certos períodos históricos. A minha geração ficou bem caracterizada por nomes não-compostos, e relativamente simples. Aline (a maldita música francesa inspirou milhares de mães), Camila, Fábio, Renato, Talita, Márcio... Esses são apenas exemplos de nomes de amigos meus, de minha geração.

E esta minha geração, talvez por um certo complexo de ter um nome tão simples e pronunciável, resolveu adotar para seus filhos os tais nomes compostos. Ok, devo admitir que, em paralelo, observa-se o fenômeno "SON" nas camadas mais populares (rsrsr), mas eu tenho a impressão de que o movimento dos nomes compostos é mais avassalador, pelo menos na classe média.

Enfim, eu respeito o gosto de cada um. E confesso que até achava simpáticos esses nomes compostos, mas depois que virou febre, parece que perdeu o encanto. E somado a tudo isso, tenho uma grande apreciação por nomes antigos... Eles têm uma sonoridade sem igual, e remetem a épocas distintas, são super nostálgicos.

Tem gente que diz que nomes antigos são muito estranhos porque não têm "cara de bebê". Como se os bebês fossem morrer bebês... Eles crescem um dia, sabia? E pensando deste modo, os nomes que acham que tem "cara de bebês", não combinam com adultos... A logica é a mesma! Você já viu alguma velhinha chamada Aline? Isso tudo é uma questão cultural, portanto, argumento furado...

Enfim, estou falando disso tudo prá chegar num assunto bem legal. O Gam e eu já chegamos a falar de nomes de filhos, e por sorte de cara chegamos a um acordo: AGENOR. E vou explicar o porquê.

Quem me conhece sabe que sou fã inconteste de Cazuza. Tá, ele é um marco da geração de meu pai, e não da minha. Mas marcou minha infância e, por isso mesmo, minha adolescência. O Gamarra, por sua vez, é fã do Cartola, que nem de longe é da geração dele, mas que ele adora. E ambos se chamavam Agenor.


Cartola e Cazuza. Ou ainda, Agenor e Agenor.

Inclusive foi justamente o fato do Cartola se chamar Agenor e ao invés dele adotar um nome artístico (inclusive com as mesmas iniciais), que instigou o Cazuza a buscar as letras de Cartola. E ele se encantou. O problema é que esse encantamento ajudou a desencantar o Barão Vermelho, que não aguentava mais as viagens do Cazuza, que queria gravar "O mundo é um moinho" no meio de um disco de rock.

Enfim... o Cazuza achava o Cartola o máximo. E o Gam e eu achamos ambos o máximo. E o "nome de velho" deles, mais máximo ainda. E tem muitos outros nomes que gosto, mas que terão de esperar uma próxima postagem.