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13 de setembro de 2011

Back in black!


Assim, eu tô imaginando ACDC, aquela vozinha estridente e eu pulando descontroladamente no meu colchão, gritando from the top of my lungs: LIIIIIIVREEEEEE!!!


Cara, acabou!!! Acabou o único motivo que me fez ficar EXATOS 5 meses sem postar. 5 meses com lazer restrito e carregado de culpa aos finais de semana. 5 meses de tensão e overeating. 5 meses de procrastinação e abulia. 5 meses de um resguardo seco!

Chega de ser prolixa, vamos ao ponto: Meu trabalho novo me consumiu nos primeiros meses. Resultado: me fodi dei mal na PUC, abandonei as aulas e corri atrás do prejuízo nos 45 do segundo tempo.

Com sorte: um professor muuuuuito legal me aprovou sem eu fazer poha nenhuma, meu projetinho de TCC eu fiz em duas horas e ficou a coisa mais fofa, e dois professores me deixaram entregar um único trabalhinho final (micho mermo) como avaliação. Sobrou uma matéria que eu desiti na caruda, não valia o sacrifício, seria em vão ( a profa é uma velha carcomida e sem sangue nas veias, a peçonhenta).

Resultado: a poha dos dois trabalhinhos viraram lenda na Alinelândia. Não me pergunte por que mas eu simplesmente não consegui fazer antes das férias. Também não consegui fazer durante as férias. Também não consegui fazer depois das férias. Virou tipo um bloqueio pós-traumático.

Daí, prá piorar a situação, o setor de bolsas me ligou pedindo prá eu justificar a zona. Nunca havia pego DP, e olha que tô no último semestre e sempre trabalhei período integral. Mas 3 DPS poderiam pôr me risco a minha bolsa.

Daí, não sei como, a luz se fez. E eu terminei os dois trabalhos nessa semana, tipo numa paulada só.  CA-RA-JO! Daí eu finalmente tomei coragem e entrei na minha grade e, não sei como, os dois professores não me reprovaram. CA-RA-JO! Eles colocaram o status das disciplinas como "aguardando avaliação". CA-RA-JO!

Bom, diante disso, coloquei em ação meu plano tinhoso de dar um migué master na secretaria. O que é muito fácil na PUC SP, convenhamos. AMANHÃ vou entrar com revisão de nota retroativa e esperar, com toda paciência do mundo, como quem espera um rebento abençoado.

Agora eu tô habilitada a retornar às atividades bloguísticas. Ninguém tem ideias do como EU SOFRI com essa privação. TODOS OS MALDITOS DIAS eu tenho ideias prá postar, vem textos inteiros na cabeça, é um inferno astral sem tamanho. Valha-me Deus.

Enfim... canta, ACDC!!!









17 de dezembro de 2010

Aviso aos navegantes

Eu esperei muito por essas férias da faculdade, justamente para poder postar com mais tranquilidade. Mal chegou a calmaria acadêmica, eis que sou lançada a outras tormentas... Tô malz, deprê, revoltada. Minha aura tá carregada, espessa e hostil.

Quase três anos de... não sei do quê. Tô começando a pensar que foram três anos desperdiçados. Eu fiquei aqui, emburrecendo, sentada o dia inteiro, com a bunda amassada e o ego pisoteado. Chega, definitivamente.

Bom, prá facilitar a sua vida, vou resumir aqui minha nova criaca: tô procurando emprego, secretária bilíngue. E enquanto eu não consigo, vou comendo o pão de cada dia. Um pão rançoso, ingrato e bolorento.

Quinta que vem começam minhas férias, em tese volto dia 26/01 a trabalhar... não sei se volto realmente. Também não queria sair daqui, pero qué puedo hacer? Ou procuro uma empresa menor onde eu possa ser alguém, ou continuo nos bastidores da Brodway chocolística... é o velho dilema de dirigir seu próprio fusquinha ou ir de passageiro na limousine alugada. Já dizia Soninha. Ou  Astrid. Sei lá, alguma apresentadora mtvística que refutou proposta indecente da Globo. (É, eu sei. Sufixo 'ístico' dominando a parada, tô ficando insuportavelmente cliché.)

Em meio a entrevistas e expectativas, muitas lágrimas e murros na parede. E vamo que vamo. E é por isso que eu não sei como vai ficar minha vida bloguística. Por isso, aviso aos navegantes: pode ser que eu escreva amanhã, ou semana que vem, sei lá. Mega desânimo mode on.

Bom, eu sei que já fiquei manjada. Mas não consigo fugir à mania de fechar posts com músicas... Cajuja de nuevo, na veia. Em doses cavalares. Um blues rasgante, como não poderia deixar de ser a trilha de um momento 'sou-a-escória-do-universo':




Down em mim


Cazuza

Composição: Frejat/Cazuza



Eu não sei o que o meu corpo abriga

Nestas noites quentes de verão

E nem me importa que mil raios partam

Qualquer sentido vago de razão

Eu ando tão down

Eu ando tão down



Outra vez vou te cantar, vou te gritar

Te rebocar do bar

E as paredes do meu quarto vão assistir comigo

À versão nova de uma velha história

E quando o sol vier socar minha cara

Com certeza você já foi embora

Eu ando tão down

Eu ando tão down



Outra vez vou te esquecer

Pois nestas horas pega mal sofrer

Da privada eu vou dar com a minha cara

De panaca pintada no espelho

E me lembrar, sorrindo, que o banheiro

É a igreja de todos os bêbados

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Down... down

9 de dezembro de 2010

Réquiem do sexto semestre



Foram bons maus momentos... Picos de bipolaridade, depressão, compulsão. Em vias de mandar tudo pro espaço, eis que veio Dra. Débora me salvar com seus remedinhos mágicos. E cá estou eu, vitoriosa, a olhar para trás e ver o quanto podemos decair em tão pouco tempo.

Este foi definitivamente o pior semestre ever. E por isso mesmo foi o melhor. Porque nele eu desci às profundezas do lamaçal depressivo-bipolar e ascendi aos céus azuis fluoxetino-sibutramínicos. Agora vamo que vamo.

A música perfeita para o defunto sexto semestre: 'Desastre Mental' (fiquei em dúvida entre essa e o 'Rock da Descerebração', ambas de Cajuja). Check it out:



Desastre Mental
Composição: Cazuza / Renato Ladeira


Baby, eu lamento
Mas não tenho tempo

Pra sentir as tuas dores
As minhas eu já não agüento


Minha vista torta
Já não se importa
Não me conte um bando de mentiras
Quando eu for fechar a porta


Aqui ninguém entra
Daqui ninguém sai
Somos sobreviventes
De um desastre mental


Não é que eu não ligue
De correr o perigo
De nunca te achar direito


Eu quero de qualquer jeito
Eu tenho que me salvar
Não vá me convencer que está com medo
Que está tarde ou que está cedo


Aqui ninguém entra
Daqui ninguém sai
Nós somos sobreviventes
De um desastre mental


Prefiro te manter
Ao lado direito do meu peito
Por essa razão

Você não navega
É uma queda de avião
No meu coração
Não vá me provocar no fim da festa, não

Aqui ninguém tá morto
E daqui ninguém sai
Nós somos sobreviventes
De um desastre mental

 
Bem, a partir de amanhã retorno às atividades bloguísticas. Amanhã tem breja com os meninos, espero que não role polenta dessa vez!  E falando nos meus adoráveis camaradas, vou fechar o post com as belas palavras de meu amigo Rodolfo, o qual em breve será agraciado com um blog para ele postar suas reflexões alcoólico-filosóficas:
 
"Sobrevivemos à uma Copa do Mundo mal jogada;
Sobrevivemos à fome no mundo;
Sobrevivemos à morte de Néstor Kirchner (ele não);
Sobrevivemos à invasões de reitoria;
Sobrevivemos ao terror no Rio de Janeiro;
E claro à semana de provas."

26 de outubro de 2010

Não é Beatles. But it's getting better all the time!





Sexta fui na endócrino. Contei prá ela que ainda queria uma HK de aniversário e uma granada de natal, e ela então dobrou a dose do bicho Prozac-fluoxetina. Disse que tem medo de entrar no meu blog e descobrir meus desejos homicidas, hehe.

Enfim, com três dias de uso, já me sinto bem mais calma do que já estava. E com muito mais saciedade. Ainda sinto que o ideal seriam três cápsulas ao dia, mas tenho que esperar... até a próxima consulta do mês que vem.

Fim-de-semana duca... Acordei cedo, fui ao shopping comprar presentes da afilhada. Comprei binquedo, e na loja de roupas, furtaram a sacola de brinquedos. Fucking DDA... 70 pilas no lixo. Que pelo menos seja útil a uma criança... Eram brinquedinhos educativos.

Daí foi um quiprocó danado (quid pro quo, isso é latim). O Gam veio me encontrar, e fizemos barraco com um cara que tava com uma sacola igual a minha, e o coitado era inocente (apesar de ser corintiano, o que já é um crime. E passional). Daí mais um blá-blá-blá no depto de segurança da loja... Depois de muito nervoso, compramos de novo os mesmos brinquedos, almoçamos e corremos prá casa. Banho de gato e corre prá aula de espanhol. Saí às 17h00 e fui prá casa de nuevo.

Lavei roupa, estendi... me arrumei, ele tomou banho... Chegamos na festa na hora do parabéns. Saímos de lá sei lá que horas... Domingo acordei meio-dia. Faxina até as 18h00. Banho de beleza, fiz pé e mão, e lá prás 22h00 fui começar a pesquisar meu seminário de ontem. Claro que não consegui montar o bicho. Acabei fazendo tudo ontem aqui no trabalho, e na hora de apresentar foi um sufoco... mas deu tudo certo, aparentemente.

Ontem mesmo tendo chegado massacrada pela aula, recolhi toda a roupa, dobrei tudo e passei toda nossa roupa de trabalho... Fui dormir às 3h00 da madruga. Acordei 8h10, hora que tenho que estar pegando o busão já... Mas consegui chegar a tempo, felizmente.

Passei um calorão dentro do ônibus, o remédio me dá isso. 15ºC na Paulista e eu suando bicas. As janelas fechadas, a mulherada de blusa de lã, e eu me sentindo na menopausa aos 24 anos. Fora isso, tem também o sono ruim. Demoro prá dormir, à noite fico agitada. E de manhã, fico mais imprestável do que de costume. Mas tudo isso é um preço muito pequeno diante da vida melhor que tenho com o Prozac.

Estou bem confiante com esse tratamento, e não troco minha endócrino por nenhuma psiquiatra. Pelo menos por enquanto. Desta vez estou com bastante paciência prá fazer um tratamento a longo prazo, com resultados mais demorados, porém mais efetivos. Acho que pela primeira vez eu não quero emagrecer rápido. Esse remédio me dá o equilíbrio suficiente prá querer tratar a causa do problema. E a causa tá aqui na minha cabeça. E isso leva tempo...

Surgiu uma oportunidade de sair do lodo da cadeia alimentar aqui da empresa. Mas nada certo ainda, se der em alguma coisa eu escrevo aqui, sem dúvidas. Com direito a uma caixa de fogos Caramuru e várias rodadas por minha conta no boteco dos deuses.

Ontem comprei um fone de ouvido xing ling, agora vou poder ligar pro meu pai daqui do trabalho pelo Skype (o ramal do pântano não é habilitado a fazer chamada interurbana). Conversamos hoje, e isso me deixou muito feliz.

Esse remédio é engraçado. Ele libera a melhor parte de mim. A Aline altruísta e benevolente. A Aline "flôzinha" (como disse o saudoso Sebastião). A Aline que dá lugar prá velhinha sentar e ainda puxa um papo longo com ela. Que divide o guarda-chuva com a patricinha no ponto de ônibus da PUC. Que dá suas bolachinhas ao filho do ex-funcionário que está na recepção aguardando resolver o problema do seu FGTS com o RH.

Enfim, me sinto humana de novo. Com o coração pulsando. Com fé e mais equilíbrio. Me arrependo de ter maldito tanto os antidepressivos.

20 de outubro de 2010

Cosméticos - give my beauty back!

Uma semana com a fluoxetina no sangue, e a vida foi se colorindo de novo! Nada como uma convivência social pacífica, sobretudo no trabalho. Nada pior do que ter que ficar o dia inteiro sorrindo e sendo gentil quando na verdade o que se quer é exterminar a raça humana.

Sexta tem endócrino, e ela vai comer minha orelha porque eu não fiz os exames de sangue de novo! Provavelmente ela vai aumentar a dose do bicho, porque apesar de eu estar me sentindo menos pior, a ansiedade tá à flor da pele ainda. Tô tendo dificuldades em dormir... e depois que durmo, é um parto prá levantar... Muita indisposição, credo. Fora que ainda sinto muita fome, vontade de comer as paredes, afe...

Dei uma sumida por causa da faculdade... provas e muita coisa atrasada... tô retardatária geral, em todas as matérias. Mas tô correndo atrás do prejuízo...

Bem, vamos ao que interessa. Um post bem ameno. Um post de retorno. Um post que chega de mansinho, olhando de soslaio, sambando miudinho, hehe... Vou falar de uma mania recente, coisa de gente bipolar.

Como não poderia deixar de ser, comecei a gostar de algo que sempre odiei. Cosméticos! Imagine esta criatura no auge da adolescência... cabelo joãozinho, estrelinha do PT na camiseta do uniforme e cabeça enfiada nos livros do Ensino Médio. Ainda vou postar uma foto destes tempos, é assustador, hehe...

Eu achava esse lance de cosméticos, maquiagem e escambal coisa de menina superficial e burra. Seeeeempre contra a maré, que coisa. Tanto que só comecei a usar maquiagem aos 20 anos. Aí me fissurei (é, coisa de gente bipolar, não me canso de repetir..). Só que em relação a cosméticos eu nunca me liguei... Achava um lance meio caro, sabe... Fora que nunca tive muita paciência prá ficar me besuntando de cremes e etc.

Daí agora que engordei horrores e minha auto-estima foi parar lá no deserto da Manchúria (o meu professor de História dizia que a Manchúria é logo depois de Guainanazes, de tão longe, hehehe!), resolvi apelar pros cosméticos. Já que tô uma baleia, pelo menos o resto que der, vou cuidando. O recheio tá pesado e gordurento, então vamos melhorar pelo menos a casca! Resultado: me viciei em vários trecos. Vou descrever aqui as coisas inúteis sem as quais não posso mais viver sem:

(depois que o Blogger deixar, eu coloco as imagens dos produtos...)

1)USO DIÁRIO - banho

Sabonete antiacne: esse é café com leite, porque uso desde os 16 anos. E nem posso sonhar em deixar de usar, minha pelo é oleosa demais. Graças a este bichinho, deixei de ser espinhuda. Eu uso o Acnesoap ou Acnaid, custa uns 20 mangos, mas dura bem uns seis meses. E não troco por nenhum outro. Já tentei usar uns mais baratos de enxofre, mas eu ficava com a cara brilhando, e isso me incomoda.

Xampú, condicionador e creme de pentear - linha profissional: gente, descobri que linha profissional tá cada vez mais acessível pro nosso bolso. E, numa boa, compensa de verdade. Meu cabelo ficou outra coisa depois que comecei a usar linhas profissionais. Tem umas marcas brasileiras excelentes e, claro, metade do preço das importadas. As que descobri: Alphaline, Ecologie e  Yabaé. Atualmente uso Yabaé porque é a única linha que encontrei que tem cremes de hidratação e de pentear para cabelos mistos. Curiosamente a maioria das linhas só faz xampú e condicionador prá cabelos mistos, o que é um contrasenso, já que as pontas precisam de hidratação. Custa uns 12 reais e é de 500 ml. Dura dois meses prá mim (depois que aprendi que tem que ser uma moedinha de um real, graças ao Fantástico), mesmo usando todos os dias, e lavando duas vezes. Massa, né?

Sabonete íntimo: coisinha besta e cara, viu... comecei a usar depois que descobri uma marca que tá sempre em promoção nas Lojas Americanas: Topz. Dois frascos por 7,99. Cada um dura dois meses prá mim. Dermacid nem pensar, só um frasco é o dobro disso. Carcamana até na alma!




Sabonete líquido: Uso quase todos os dias. Revezo com sabonete em barra (esfoliante da Dove) porque custa o mesmo que 4 Doves e só dura 15 dias. É, eu continuo carcamana.




2)USO DIÁRIO - pós-banho

Linha Renew 25: Tá, eu só faço 25 no mês que vem. Mas minhas olheiras são bem mais velhas que eu, rs. Ainda quero fazer um peeling antes de casar, e se não resolver, apelo prá faca. Comecei a usar a linha completa da Renew 25... e não notei diferença nenhuma. Mas já que foi caro à beça, vou usar até o fim, só de raiva, heheh.





3)USO SEMANAL - no banho

Aí estamos falando de um ritual. É o meu "banho de beleza", como eu digo ao Gam. Seria bem mais reconfortante se o resultado fizesse jus ao título, mas enfim... Vamos ao ritual de domingo:

Xampú antiresíduo: O mais barato possível, já que depois faço a hidratação. Comprei da Acquamarine.





Creme de hidratação (cabelos): Da Yabaé, como já disse. Massageio bem (só no comprimento, claro), enrolo, prendo com um grampo e ponho uma touca normal de banho. Daí é só deixar agindo enquanto sigo com o ritual. Faço a mesma coisa diariamente com o condicionador.




Limpeza facial: Clean and Clear, básico. O bom é que a linha vem enumerada, prá vc num perder a ordem do que vai passar primeiro. No banho é só esfoliação, o resto é depois.




Máscara de argila: Eu achei que seria a maior roubada comprar esse trem. Mas gente, é bom demais! Deixa a pele super macia, e é prá pele oleosa mesmo. Comprei da Flores e Vegetais. Ponho o trem no rosto e sigo com o ritual...






Esfoliação - corpo e pés: eu abro mão de todas as frescuraiadas acima, menos da esfoliação. Sem querer descobri a solução dos pêlos encravados. Já havia tentado tudo que é método de depilação, tentei de tudo, e minhas pernas pareciam um ralador de queijo. Com a esfoliação, ficou lisinha de novo!!! A pela fica um negócio de louco!!! Comprei da Indafarma - linha profissional. Ah, importante. Nessa hora eu desligo o chuveiro, consciência ecológica.

Depilação: Uso loção ou creme da Depiroll nas pernas, acho que é menos pior do que lâmina. Nas outras partes, a lâmina continua na atividade, hehe.

4)USO SEMANAL - pós-banho


Ped Egg: Comprei o Tabajara mesmo, de uma moça que mora aqui no centro de Sampa. Ela anuncia no Mercado Livre, mas fui lá na casa dela buscar. Maior fofa. Acho que paguei 10 conto no bicho, e funciona que é uma beleza.




Hidratante para pés: Gente, depois de esfoliação e o escambal, num precisa também de um puta creme, né? Uso um baratinho com uréia, que comprei no mercado. Essa foto da Risqué eu pus prá encher linguiça.

Hidratante para o corpo: Não gosto de me besuntar toda, passo bem pouco. Uso um da Hidramais com colágeno, simplesinho. Tenho dois Victoria´s secret, mas só uso em ocasiões especiais, rsrs.






Adstringente e Hidratante para o rosto: Seguindo a linha Clean and Clear, para pele oleosa.




Gel refrescante pós-depilação: prá não encravar meeeeeesmo! da Depiroll.







Antifrizz: Comprei da Laccan, o olho da cara!!! Mas é um espetáculo! Depois da escova (que eu mesma faço com meu Líssima), borrifo no comprimento. Ele é termoativo, e dá um brilho que reluz até a alma!





Bom, é só isso, rsrs. E olha que eu nem sou tão frescurenta assim, vai. Importante frisar que faço tudo que posso em casa: escova, hidratação, mãos, pés, sombrancelha e maquiagem.

Gosto de ser autosuficiente. Assim evito o ambiente insuportável dos salões de beleza (detesto!) e não preciso pagar pelo serviço. Até porque geralmente faço melhor mesmo, principalmente as unhas. Ainda bem, porque se eu precisar de um bico, posso bancar a manicure de boa!

8 de outubro de 2010

Misantropia na veia - the bipolar moment revisited



Quase uma semana sem o meu Prozac (fluoxetina), e já estou subindo pelas paredes. Cara, tô num momento de misantropia constante, um inferno astral sem tamanho... tá tudo voltando feito uma avalanche, furiosamente.

Daí porque há quase uma semana meu sonho de consumo passou a ser uma HK. Convívio social passou a ser sinônimo de batalha, e das mais sangrentas possíveis. Eu, no meu exército de uma mulher só, querendo realizar o maior genocídio da história. Holocausto? Nunca aconteceu, magina. Mas pode acontecer a qualquer momento! GRRR! Get out o' my way!!!!

Ai, ai... tô me lembrando de uma coisa. Tenho um amiga Borderline, e às vezes temos umas ideias insanas conversando pelo msn. Um dia eu dei a brilhante ideia de irmos a uma micareta juntas,  só prá podermos distribuir socos e cotoveladas gratuitamente. Credo, odeio micareta. Odeio Carnaval da Bahia, odeio trio elétrico, odeio tudo. Argh! Mas a ideia é boa, né?

Enfim... ainda bem que teimei em fazer esse blog um dia. Preciso vomitar essas coisas que me torturam. Eu tô de um jeito, que prá pôr os pés fora de casa tá sendo um martírio. Não consigo olhar pros lados, não quero ver gente na minha frente, ouvir gente, sentir cheiro de gente, tenho raiva, muita raiva. Vontade de provocar uma hecatombe atômica e deixar as baratas reinando este planeta dos infernos...

Alguma dúvida da minha bipolaridade? Tsc, nessas horas eu só queria que minha endócrino lêsse meu blog. Ela acha que meu problema é pura depressão... mal sabe ela que a minha depressão é capaz de chegar a extremos de provocar danos mais contundentes do que a depressão de 29. O crack da bolsa num é nada perto do que acontece aqui dentro das minhas fronteiras macroeconômicas.

E como não tô dizendo coisa com coisa e já tô assustando quem me lê, aviso que amanhã eu vou correndo na Ultrafarma comprar o bicho. É que tô há uma semana me recusando a pagar 40 conto, na Ultra não passa de 20 merréis... Todo esse sofrimento por estar sendo carcamana. Depois eu vou e torro 20 conto em sei lá o quê. Nonsense.

Ah, só prá esclarecer o título do post: bipolaridade também é um termo usado prá definir o sistema mundial durante a Guerra Fria, com as duas superpotências mundiais (EUA e URSS), cada uma em seu extremo oposto ideológico. "Bipolar moment revisited" foi na verdade um trocadilho com o artigo do Krauthammer um dos falcões do governo fucking Bush) , chamado "The unipolar moment revisited".

Isto porque alguns autores defendem que estamos vivendo um momento unipolar, com os EUA por cima da carne seca total. Outros, mais conscientes (e portanto menos americanóides), defendem que o sistema internacional vive um momento multipolar (com várias potências no comando), lideradas pela Colúmbia - o tio Sam (tá, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, PORRA...)

Vocês sabiam que os Estados Unidos quase se chamaram Colúmbia?  Aff, acho que tá na hora de parar de escrever... E só prá constar, nunca fiz um post com tantos links. Annoying thing...




2 de setembro de 2010

Bota água no feijão, que eu tô voltando!



Senhoras e senhores, trago boas novas...

Depois de uma profunda jornada espiritual, eis que retorno ainda mais ávida e sedenta!

Hoje fui ao psiquiatra, e ganhei uns remedinhos prá depressão e bipolaridade. É, isso aí. BIPOLARIDADE.

Maior legal, entrei num site muito bom sobre o assunto e descobri porque num mesmo segundo eu tenho vontade de metralhar quem cruza meu caminho, adotar um gatinho abandonado e depois me jogar do 13º andar. Legal, né?

Cara, é muito bom descobrir de onde vem este turbilhão. Melhor ainda poder confiar em alguém capacitado prá tratar essas maluquices. Ou não...

Tudo bem que a médica que me atendeu parecia um chuchu de batom, uma velhota mal encarada candidata a "miss antipatia"...  Mas ok, encarei a vovó e vomitei minhas insanidades...

Agora vamos ver se eu consigo me concentrar mais. Ultimamente, o que mais me incomoda é a avalanche de ideias que invade minha cabeça, além da compulsão e da INTENSA irritabilidade (eu ainda vou ser banida da faculdade, tô começando a virar uma ameaça à sociedade).

Pois bem, não resisti ficar sem blogar...

Engraçado, me peguei pensando numa coisa estes dias. Um pensamento meio construtivista: é curioso como cada pessoa atribui a seu blog um significado diferente... e o usa de maneiras diferentes... e como isso tudo muda de acordo com o tema do blog.

Por exemplo, há muitos blogs "casamentícios" por aí, certo? São blogs de mulheres que querem dicas para a organização do casamento, etc. Eu gosto de acompanhar estes blogs prá ficar por dentro das novidades e tal.

Mas eu me irrito muito (nossa, que novidade!), com o jeito que estas meninas blogam. É uma jogação de purpurina que puta que o pariu... Prá você ter seu blog reconhecido, tem que sair rasgando seda a torto e direito. Você tem que usar a mesma linguagem (cara, elas escrevem feito retardadas...). Depois tem aquelas tranqueiras de "selinhos fofos" e bla, bla, bla...

Não me incomodam os selinhos, e muito menos as amizades criadas neste meio, muito pelo contrário. Desde que ambos sejam verdadeiros. Nada como criar laço genuínos, baseados no carinho e respeito... Nada como conhecer pessoas novas, com visões de mundo diferentes. Nada como expandir nosso mundinho interior. E não o nosso ego.

É essa "promiscuidade blogueira" que me faz pensar o que um blog significa prá cada um. E o curioso é que pode significar muita coisa. Prá uns, é um meio de promoção social, prá outros, um porto seguro para desabafar, e outros, um meio para canalizar sua ideias e criatividade.

Bem, prá encerrar o assunto, uma letra do Gabriel o Pensador (me gusta mucho!) do disco "Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo". Aliás, que disquinho esquerdista, hein, Gabriel... Parece que leu o Manifesto do PC antes de escrever as letras.

Maaaaas, por isso mesmo.... NOTA MIL!!!! Leia com paciência até o final... Principalmente o final, onde ele faz um jogo de palavras genial. Como sempre!!!

Voilá!


BRASA
Gabriel o Pensador

Um poeta já falou, vendo o homem e seu caminho:

"o lar do passarinho é o ar, e não o ninho".

E eu voei... Eu passei um tempo fora, eu passei um tempo longe.

Não importa quanto tempo, não importa onde.

Num lugar mais frio, ou mais quente de repente, onde a gente é esquisita, um lugar diferente.

Outra língua, outra cultura, outra moeda.

É, vida dura mas eu sou duro na queda.

Se me derrubar... eu me levanto, e fui aos trancos e barrancos, trampo atrás de trampo, trabalhando pra pagar a pensão e superar a tensão do pesadelo da imigração.

Clandestino, imigrante, maltrapilho.

Mais um subdesenvolvido que escolheu o exílio, procurando a sua chance de fazer algum dinheiro, no primeiro mundo com saudade do terceiro.

Família, amigos, meus velhos, meu mano - o meu pequeno mundo em segundo plano.

Eu forcei alguns sorrisos e algumas amizades.

Passei um tempo mal, morrendo de saudade.


Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade.


Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...


Da beleza poluída, da favela iluminada, do tempero da comida, do som da batucada.

Da cultura, da mistura, da estrutura precária.

Da farofa, do pãozinho e da loucura diária.

Do churrasco de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali dormindo, o coroa aposentado.

Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...

Da mulata oferecida, do pagode malfeito, de torcer na arquibancada pro meu time do peito.

A pelada sagrada com a rapaziada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.

Da malandragem, da nossa malícia, da batida de limão, da gelada que delícia!


Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...


Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas dos programas da TV.

Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral.

Do calor humano, do fundo de quintal.

Do clima, da rima, da festa feita à toa - típica mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro e da cor.

E do nosso jeito de fazer amor.
Agora eu sou poeta, vendo o homem a caminhar:

o lar do passarinho é o ninho, e não o ar.

E eu voltei. E eu passei um tempo bem, depois do meu retorno.

Eu e minha gente, coração mais quente, refeição no forno.

Água no feijão, tô na área, bichinho.

Se me derrubar... eu não tô mais sozinho.

Tô de volta sim senhor.

Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.

Mas o amor é cego.

Devo admitir, devo e não nego, que aos poucos fui caindo na real, vendo como o Brasa tava em brasa, tava mal.

Vendo a minha terra assim em guerra, o meu país... não dá, não dá pra ser feliz.

E bate uma revolta, e bate uma deprê.

E bate a frustração, e bate o coração pra não morrer.

Mas bate assim cabreiro.

Bate no escuro, sem esperança no futuro, bate o desespero.

Bate inseguro, no terceiro mundo, se for, com saudade do primeiro.

Os velhos, os filhos, os manos - ninguém aqui em casa tem direito a fazer planos.

Eu forcei alguns sorrisos e lágrimas risonhas.

Passei um tempo mal, morrendo de vergonha.

Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha.


Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...

Da beleza poluída, da favela iluminada, da falta de comida pra quem não tem nada.

Da postura, da usura, da tortura diária.

Da cela especial, da estrutura carcerária.

A chacina de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali pedindo, o coroa acorrentado.


Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...


Da mulata oferecida, do pagode malfeito.

Morrer na arquibancada pro meu time do peito.

O salário suado que não serve pra nada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.

Da malandragem, da nossa milícia, da batida da PM, porrada da polícia.


Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...


Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas de programa dos programas da TV.

Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral, do sorriso mentiroso na campanha eleitoral.

Do clima de festa, da festa feita à toa - ridícula mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro da carniça.

E do nosso, jeito de fazer justiça.


Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa, casa do meu coração.

Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa e a minha casa só precisa de uma boa arrumação.

Muita água e sabão.

Ensaboa, meu irmão.

Não se suja não.

Indignação.

Manifestação.

Mais informação.

Conscientização.

Comunicação.

Com toda razão.

Participação.

No voto e na pressão.

Reivindicação.

Reformulação.

Água e sabão na nossa nação.

Água e sabão, tá na nossa mão.

Tô morrendo de paixão, tô morrendo de paixão...



18 de agosto de 2010

Almeida Júnior + Pinacoteca + TDA

Eu prometi a mim mesma que iria postar uma vez por semana, mas tá difícil. A minha ansiedade tá no seu ápice, e minha cabeça um verdadeiro inferno astral.

Eu não tô suportando nem ouvir a voz das pessoas, dá vontade de sair socando todo mundo. É praticamente uma TPM constante...

Hoje estou mais tranquila... tanto que consegui começar (pela milésima vez) a dieta. Esse impulso inicial eu tô tentando ter há meses. Mais tarde vou ver o preço do anseolítico que a endócrino receitou, e no mês que vem tem psiquatra prá ver esse lance de TDA + compulsão alimentar. Provavelmente vou entrar na sibutramina de novo, vamos ver...

Tive que tomar uma decisão drástica prá não me ferrar na facul lá pro fim do semestre. Nesta semana não vou prá aula. Vou prá casa ler os textos que já estão atrasados. É o único jeito de voltar à vibe dos estudos... eu me conheço. E sei que prá me domar, só com pulso firme. E depois de 15 dias enrolando, tomei a decisão.

Bem, entrando logo no assunto do Almeida Júnior... Eu tava lembrando ontem dos saudosos tempos do colégio, onde minha irmã e eu nos divertíamos aos fins-de-semana em museus e teatros. O museu que eu mais gostava era a Pinacoteca. Talvez por ser o primeiro que conheci de fato. E de ser fácil de chegar, rsrs.


Pinacoteca - visão do Parque da Luz.


Tem também uma história muito louca com esse lugar. Na adolescência, eu gostava de desenhar, e sempre gostei muito da pintura realista. Até hoje eu ainda acho a vertente mais legal. Até porque foi o realismo que originou as técnicas de pintura ocidental.

Bom, eu lembro que uma vez, na Praia Grande, tinha um calendário com pinturas lá no apartamento da minha tia, com telas brasileiras. E não sei em qual mês tinha uma tela do Almeida Júnior, chamada Saudade.



Saudade, 1899.

Eu lembro que achei o quadro incrível. Tem uma lágrima que escorre do rosto da moça que parece de verdade... A iluminação do ambiente é tão perfeita, que dá de mil em qualquer filme 3D. É como se estivéssemos sentados em um banquinho dentro deste casebre, olhando prá ela, participando do momento triste. Nas mãos, ela segura um passaporte, o que nos deixa pensando qual o enredo de sua história. Qual trama a fez separar-se de alguém que ama...

Enfim, eu me apaixonei pelo Almeida Júnior. E foi na Pinacoteca que eu pude ver de perto (e tantas vezes) essa tela. E em todas as vezes me emocionava. A tela é imensa, deve ter uns 1,80 de altura. Demais!

O mais legal do Almeida Júnior é que, ao contrário do "mainstream" do realismo adacemicista, que retratava exclusivamente as elites, ele inovou ao retratar cenas do cotidiano do caipira brasileiro. Lembrando que ele mesmo nasceu no interior de São Paulo, na cidade de Itu.

Caipira Picando Fumo, 1893.

O Violeiro, 1899.
Auro-retrato, 1878.

É impressionante... parece foto mesmo. Numa boa, eu entendo que o pós-modernismo, por exemplo, tem uma proposta imensa por trás das telas... mas eu fico olhando uns "rabiscos" pós-modernistas e fico pensando: "será que alguém, hoje em dia, ainda é capaz de pintar como os caras do realismo?"

Para mais informações, acesse:



12 de agosto de 2010

TDA - Transtorno de Déficit de Atenção


Cara, eu nem sei como vou fazer prá escrever sucintamente sobre isso. Mas prometo ser o mais breve e menos mala possível.

Aos 18 anos, eu descobri que tenho TDA - transtorno de déficit de atenção (conhecido também por DDA - distúrbio de déficit de atenção). Na verdade, este é um termo genérico, pois comporta alguns subtipos de distúrbios, alguns associados à hiperatividade, depressão, etc.

O subtipo mais conhecido é o TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade). É mais fácil de diagnosticar porque é bem perceptível logo na infância. São aquelas crianças hiperativas e com dificuldade de concentração.

O meu subtipo é o TDA sem hiperatividade. Geralmente acomete meninas (o contrário do TDAH, cuja maioria dos portadores é do sexo masculino). Vou tentar resumir aqui os sintomas:


Infância

- na escola, são crianças quietas, tímidas e com dificuldades de socialização;
- apresentam inteligência aguçada, porém têm problemas de rendimento por dificuldade de concentração;
- não concentram-se com facilidade nas aulas, às vezes não ouve o que o professor diz, perde-se em seus pensamentos;
- têm dificuldades com algumas matérias específicas, principalmente as de exatas;
- podem não querer ir à escola por se acharem incapazes;
- baixa auto-estima, sentem-se inferior aos colegas;
- têm dificuldade de organizar trabalhos escolares;
- frequentemente perdem materiais escolares, livros, etc;
- esquecem de fazer deveres.

Idade adulta

- alterações de humor, alta irritabilidade
- sentimentos intensos
- esquecimento de compromissos
- constante perda de objetos
- procrastinação
- dificuldade em ser pontual
- perdem-se em lugares conhecidos
- começam vários projetos ao mesmo tempo, não terminam nenhum
- dificuldade em concentrar-se em atividades que os desagradam, ou que os pressionam
- superconcentração em atividades que os agradam
- compulsividade, que pode traduzir-se em compulsão alimentar, vícios, etc.
- depressão
- dificuldades em manter-se em um mesmo emprego
- dificuldades em manter relacionamento estável
- insegurança, que traduz-se em ciúme excessivo
- muitas ideias ao mesmo tempo, que tornam-se obssessões


Para muitas pessoas, é difícil acreditar que eu tenha tudo isso. Até porque hoje em dia, muitos me conhecem por características opostas às descritas acima. Mas o que ocorre é que eu consegui domar muitas delas.

TDA tem tratamento e, para além de remédios, o trabalho do psicólogo está mais relacionado a oferecer ao paciente métodos simples para lidar consigo mesmo. Um exemplo banal é a adoção de agendas para organizar suas atividades, entre outros.

Como eu descobri meu TDA?

Aos 18 anos, eu trabalhava numa livraria. Todo mundo acha que deva ser um trabalho super legal, que os funcionários passam o dia lendo, etc. Mas não é nem um pouco. Porque eu trabalhava como uma camela, e só podia ler a quarta capa dos livros, para ter uma noção do que se tratavam.

Ou seja, nesta época, conheci muitos títulos, mas não aprofundei nenhuma leitura. Estou contando isso porque num belo de um dia chegou um livro que estava estourando em vendas nas grandes livrarias, o "Mentes Inquietas" (de Ana Beatriz Silva). Eu ainda não conhecia o livro, o gerente da loja que o pegou para folhear, e logo me chamou, surpreso, pedindo para lê-lo porque o livro simplesmente me descrevia por completo.


O culpado da minha grande descoberta, rs.

Eu li o livro sim, mas fiquei muito assustada, e de imediato neguei que eu pudesse ter o distúrbio. Mas os testes do livro davam positivo sempre, então resolvi tirar essa história a limpo. Nós tínhamos uma cliente psicóloga (um amor de pessoa), cujo consultório era praticamente ao lado da livraria. Eu comentei sobre o acontecido com ela, e ela se propôs a conversar comigo.  

Bem, fui lá... respondi várias perguntas, falei da minha vida e da minha infância. Ela disse que não precisaria de muito mais para ter certeza da minha TDA.

A trajetória do meu TDA

Na infância, eu tinha dificuldade em me concentrar nas aulas. Me achava incapaz prá tudo, inferior a todos. Eu cheguei a mentir para os meus avós uma vez que minha professora mandou fazer uma atividade que não ouvi ela explicar, e não entendi necas. Era prá levar no dia seguinte, então disse que eu não teria aula. Minha vó descobriu, hehe. Nunca mais menti por medo da reação deles, mas o pavor de encarar estas situações continuou por alguns anos.

Não me socializava, ficava sempre de canto, tinha sempre uma ou duas amigas, no máximo. Perdia meus materiais, livros, cadernos... com muita frequência, e isso me prejudicava. Minha avó dizia sempre que eu vivia no "mundo da lua", e isso começou a encher tanto a paciência dela que ela resolveu comprar prá mim um remédio para memória, chamado "cerebrex". O problema é que eu esquecia de tomar o bicho, e vi algumas caixas do remédio passarem da validade, hehehe.

A adolescência foi um martírio. Já é um período complicado para qualquer ser humano. Para um TDA então... Tive depressão, muitas crises existenciais, auto-estima zero... Comecei a namorar aos 16 anos. Coitado do cara, foi um relacionamento completamente doentio. A insegurança e o ciúme doentio me dominava. Eu cheguei a procurar o MADA para tentar resolver o meu problema. Pensei também em fazer terapia, mas meu ex achou um absurdo... 

Algumas compulsões e vícios se originaram nesta fase. A compulsão alimentar (com quem brigo até hoje) e compulsão por comprar (hoje é item riscado de minha lista, felizmente). Quando comecei a trabalhar, também foi outro problema: não conseguia chegar no horário, postergava tudo o que não gostava de fazer, e minha chefe era tão insana, que eu não conseguia escutar o que ela falava. Só via a boca se mexendo, o pavor era tão grande, que nem as ordens dela eu entendia, me dispersava muito.

Foi justamente neste período que "descobri" a TDA. E foi o que me tirou do limbo e me deu impulso prá começar a mirar o céu, e não mais o chão.

Como eu aprendi a "domar" meu TDA?

O primeiro passo foi a aceitação, o que foi bem trabalhoso. Aceitar-me torta como sou e gostar de mim mesma foi fundamental para seguir adiante. O que ajuda muito é pensar que a TDA tem tratamento (apesar de não ter "cura", já que não é uma doença propriamente dita).

Além disso, descobri que a TDA tem também seu lado bom. Nós temos atributos que acabam nos beneficiando. Quando gostamos de uma atividade, nos superconcentramos e a desenvolvemos com um afinco incomparável. Fora que são pessoas com muita criatividade e talentos dos mais variados. E são sempre destacadas por estes talentos.

Isso me ajudou a identificar minhas qualidades. E, consequentemente, me deu mais segurança e auto-estima. Agora sei que esse meu jeitão torto tem suas qualidades, as quais eu posso oferecer a qualquer área da minha vida: em casa, no trabalho, nos estudos...

Posteriormente, alguns fatores exógenos me ajudaram a transformar defeitos em qualidades. Foram situações que me pressionaram a mudar minhas atitudes, pois de outro modo eu teria custos altos para arcar. A exemplo, fui morar sozinha, e como precisava garantir meu aluguel, tive que encarar o emprego casca grossa que eu tinha, pois pagava muito bem e me garantia nas despesas.

O problema é que minha chefe lá era uma verdadeira Miranda Priestly ("O diabo veste Prada"). Se você assistiu o filme, sabe do que estou falando. Além disso, o escritório era na Berrini (o c* do mundo). Mas eu não podia desistir. Me enchi de coragem e matei esse leão. Não podia nem sonhar em chegar atrasada. Qualquer falha minha resultaria em demissão, na certa.

Maryl Streep como Miranda Priestly, em O Diabo veste Prada

Resultado: aprendi a ser pontual, a me concentrar mais e me organizar. De maneira tão intensa, que peguei várias manias de secretária. Felizmente! Hoje, não vivo sem agenda, e tenho prazer de organizar a minha rotina.

Quanto aos outros problemas, a resolução para quase todos eles se chama Ewerton, ou Gamarra. Com ele eu me dei conta que o que eu mais preciso é de um companheiro diferente de mim. E ele é meu oposto ao extremo. Uma pessoa absolutamente calma e centrada. Com ajuda dele eu domei os meus monstrinhos, pois eu não queria perdê-lo como eu perdi meu ex.

Este blog nada mais é do que uma expressão do meu TDA. Minha cabeça é inundada de ideias e projetos o tempo todo, que me dominam de um jeito que mal me deixam dormir. Eu preciso expelí-las um pouco prá me sentir mais aliviada...

Nossa, tem muita coisa que eu poderia ainda escrever. Mas eu prometi não ser mala, e acabei sendo mega master mala, então fico por aqui. Agora pelo menos dá prá sacar a piadinha da primeira imagem deste post, hehehe...

Se você quer mais informações (e mais confiáveis do que as minhas) acesse:













10 de agosto de 2010

Paralisia do sono

Você acorda, olha para os lados e seu quarto está lá, do jeitinho que estava quando você pegou no sono. Os livros na estante, o casaco pendurado onde você deixou, o gato dormindo aos pés da cama. Mas você tenta se mexer e não consegue. Você está acordado e consciente, mas seu corpo não responde. Você tenta de todas as maneiras, mas não consegue mover um dedo.

Pode ser que neste momento, algumas sensações lhe acompanhem. Você sente uma pressão em cima de você, como se uma pessoa estivesse lhe sufocando. Sente passos sobre o colchão, e pode até ouvir vozes no ouvido. Você se sente acuado, e não consegue acordar.

Em uma outra situação, você consegue levantar. Anda pelo quarto, mexe nas suas coisas, mas algo lhe diz que seu corpo ainda está lá deitado na cama. Você então tenta acender a luz, aciona o interruptor, mas ele não acende. Abre a torneira, mas não sai água. Enfim, você tem liberdade para se mover, mas sabe que seu corpo ainda está dormindo.

Apesar de estar consciente, algumas situações características dos sonhos podem acontecer. Você vê coisas estranhas, ouve vozes, tem sensações. O diferencial é que é tudo muito nítido, os sentidos ficam muito mais aguçados. É difícil acreditar que tudo não passa de um "sonho".

Essa situação apavorante desperta o imaginário das pessoas, que frequentemente atribuem a este "sonho" manifestações do demônio, de criaturas sobrenaturais ou espíritos malignos. No Brasil, este fenômeno deu origem à lenda da Pisadeira, uma criatura noturna (na figura de uma mulher prá lá de feia) que perturba o sono daqueles que comem muito antes de dormir, e que principalmente dormem de barriga para cima.


A Pisadeira

Denominada por catalepsia projetiva, ou paralisia do sono pela ciência, é um fenômeno bastante comum (tanto que origina lendas nas mais diversas culturas), que acontece quando o cérebro acorda de um estado REM, mas a paralisia corporal (que é normal enquanto se dorme) persiste. Ou seja, é uma espécie de "falha" que pode ocorrer no cérebro no momento que despertamos do sono. As sensações e visões apavorantes que podem acompanhar a paralisia nada mais são que alucinações hipnagógicas.

Possíveis Causas

Alguns fatores podem possibilitar a paralisia e as alucinações, quais sejam: stress, sono irregular, noites mal dormidas, mudanças súbitas do padrão de vida da pessoa, dormir de barriga prá cima, etc.

Eu tive muitos episódios de paralisia, e todos eles estavam relacionados a um das situações acima. Por muito tempo me apavorei, até descobrir que é algo corriqueiro, vivido por milhares de pessoas, todas as noites. E o melhor, é um fenômeno físico e estudado pela ciência.


"The nightmare", tela de John Henry Fuseli. Retrata as sensações causadas pela paralisia do sono.

Mas o que fazer quando acontecer a paralisia? Apesar de existir tratamento com remédios, orientados por profissionais, eu procurei por muito tempo saber como as pessoas que sofrem frequentemente com esse mal lidam com isso.

E descobri técnicas muito interessantes. A primeira foi a "técnica do dedinho", ou seja, tentar mexer só um dedo com bastante calma e concentração. Isso pode ajudar a acordar o corpo.

A outra, e a mais divertida, é o que muitos chamam de projeção astral, ou viagem astral. Nada mais é do que uma tentativa de aproveitar a experiência da maneira mais positiva possível, realizando nossas vontades e desejos. Você pode voar, visitar seus amigos, ir a lugares distantes, tudo isso com a liberdade que você só tem em um sonho, mas com total consciência.

Se por um lado as visões são alucinações, por outro há a consciência do nosso espírito. O que podemos aproveitar para ter experiências espirituais únicas.

Da próxima vez que a Pisadeira lhe visitar, não se assuste. Relaxe e tente se divertir, encarando a situação como algo normal, apesar de parecer algo tão bizarro e assustador.

É isso aí. Bons sonhos a todos.