Curta e grossa.
Curta eu sou mesmo, eu com meu um e sessenta (nem sei se chego mesmo a isso). Grossa porque, além de roliça, eu engrosso o caldo mesmo. Aliás, o caldo fica fervendo aqui o tempo todo, não chegue muito perto que é capaz de neguinho levar queimadura de enésimo grau...
Enfim, curta e grossa: eu tô lascada, com um trabalho prá entregar até segunda e uma prova na quarta. Mas tá na hora de fazer post novo, porque já tô me coçando aqui...
Então, prá matar dois coelhos "numa caixa d'água só" (como diria companheiro Lula), vamos a um "post pronto". Vou colocar aqui uma poesia das antigas, bem antiga mesmo. Fiz aos 15 anos (wow, há uma década), no primeiro ou segundo colegial, não lembro.
Foi na feira cultural do colégio, de tema "fronteiras". Deu trabalho prá expôr, porque encasquetei que queria um cartaz com letras recortadas de jornal. Imagina recortar letra por letra, ainda mais que a poesia era relativamente extensa.
Mas deu certo, e no final ganhei além de um A, uma bela estrelinha na testa (lê-se puxa-saquismo da profª de literatura). Voilá:
FRONTEIRAS
Fronteiras de pedra, tijolo, papel
Fronteiras de espaço, de terra, de céu
Fronteiras de homens, mulheres, crianças
De mentes e sonhos, palavras e ânsias.
Fronteiras já prontas, natas, conhecidas
Toleradas,
quebradas,
derrubadas,
construídas.
Veneradas ou anônimas
Odiadas ou perdidas
Fronteiras em que se vêem limites invisíveis
demarcados, metrificados, quilometrados
di vi di dos
em pólos de cores, de cheiros,
amores...?
(divididos)
Fronteiras do eu, do tu, do eles
Diferenças iguais e igualdades diferentes
De todo o todo, de todos os tolos
palhaços, juízes, reis e mendigos
Fronteiras que cerram, que cortam, decapitam
Degolam o que se juntou
Fronteiras do eu, do eu, do eu
Eu delimitado, eu esquartejado
Pelo tempo que divide o que nos mata -
e o que nos cria - e o que nos sustenta.
Fronteiras numerais que cativam,
que libertam as próprias fronteiras animais
répteis, aves, símios hominais
Fronteiras universais - entre homem e espaço-
o conhecido e desconhecido, inventado e mentido.
A fronteira das mentiras, da ambição, da maldade
O bem e o mal num globo só
(ou em diversos talvez).
A luz e o sol
A arte e a decadência
Fronteiras globais, interesses mundiais,
capitais,
sociais,
liberais,
individuais.
Limites do falar, do escrever no papel
O papel da natureza que faz o dólar- que divide.
As fronteiras de tudo isso.
E tudo isso incluído
tudo num mesmo lugar, ao mesmo tempo,
no mesmo sentimento de não se saber ao certo
quais são as fronteiras
e por que elas estão lá.