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23 de setembro de 2010

1964

Tô ficando manjada mesmo... começo a ficar cheia de coisa prá estudar e já vou postando uma poesia do meu baúl. Quero ver quando acabar este estoque poético, viu... Vou ter que começar a postar receita de bolo, que nem nos jornais dos anos de chumbo, hehehe... Credo.

Enfim, segue aí mais uma velharia. Se você tem rinite (a minha tá mega atacada, graças ao gato Otávio), aprecie com moderação, porque tá cheirando a mofo!






1964



Eu hoje vi um catavento
veloz, varrendo o mundo adentro
Eu hoje vi a roda viva
voraz, comendo o mundo afora
(e pás de moinhos ferozes)

Em aforismos, ouvi o mundo e vi
multidões e batalhões ao léo de anos-luz
E eu vi jovens, a juventude que morria
Eu vi a banda e a cavalaria

Eu vi, hoje eu vi
o meu país morrer por brasões
e canhões vetados, e ofensas
imensa tropa verde-hostil

Eu hoje vi um catavento
sagaz e tão sedento de egoísmo
varrendo cada metro, cada milha
semeando o medo e o niilismo
em cada pedaço desse meu Brasil.

2000 / 2001.

17 de setembro de 2010

Fronteiras

Curta e grossa.

Curta eu sou mesmo, eu com meu um e sessenta (nem sei se chego mesmo a isso). Grossa porque, além de roliça, eu engrosso o caldo mesmo. Aliás, o caldo fica fervendo aqui o tempo todo, não chegue muito perto que é capaz de neguinho levar queimadura de enésimo grau...

Enfim, curta e grossa: eu tô lascada, com um trabalho prá entregar até segunda e uma prova na quarta. Mas tá na hora de fazer post novo, porque já tô me coçando aqui...

Então, prá matar dois coelhos "numa caixa d'água só" (como diria companheiro Lula), vamos a um "post pronto". Vou colocar aqui uma poesia das antigas, bem antiga mesmo. Fiz aos 15 anos (wow, há uma década), no primeiro ou segundo colegial, não lembro.

Foi na feira cultural do colégio, de tema "fronteiras". Deu trabalho prá expôr, porque encasquetei que queria um cartaz com letras recortadas de jornal. Imagina recortar letra por letra, ainda mais que a poesia era relativamente extensa.

Mas deu certo, e no final ganhei além de um A, uma bela estrelinha na testa (lê-se puxa-saquismo da profª de literatura). Voilá:


FRONTEIRAS




Fronteiras de pedra, tijolo, papel
Fronteiras de espaço, de terra, de céu
Fronteiras de homens, mulheres, crianças
De mentes e sonhos, palavras e ânsias.

Fronteiras já prontas, natas, conhecidas
Toleradas,
                quebradas,
                                 derrubadas,
                                                   construídas.


Veneradas ou anônimas
Odiadas ou perdidas


Fronteiras em que se vêem limites invisíveis
demarcados, metrificados, quilometrados
di    vi    di   dos
em pólos de cores, de cheiros,
                                              amores...?
                                              (divididos)


Fronteiras do eu, do tu, do eles
Diferenças iguais e igualdades diferentes
De todo o todo, de todos os tolos
palhaços, juízes, reis e mendigos


Fronteiras que cerram, que cortam, decapitam
Degolam o que se juntou


Fronteiras do eu, do eu, do eu
Eu delimitado, eu esquartejado
Pelo tempo que divide o que nos mata -
e o que nos cria - e o que nos sustenta.


Fronteiras numerais que cativam,
que libertam as próprias fronteiras animais
répteis, aves, símios hominais


Fronteiras universais - entre homem e espaço-
o conhecido e desconhecido, inventado e mentido.


A fronteira das mentiras, da ambição, da maldade
O bem e o mal num globo só
(ou em diversos talvez).


A luz e o sol
A arte e a decadência


Fronteiras globais, interesses mundiais,
                             capitais,
                   sociais,
           liberais,
individuais.


Limites do falar, do escrever no papel
O papel da natureza que faz o dólar- que divide.


As fronteiras de tudo isso.
E tudo isso incluído
tudo num mesmo lugar, ao mesmo tempo,
no mesmo sentimento de não se saber ao certo
quais são as fronteiras
e por que elas estão lá.

3 de setembro de 2010

Vem vermelho




Vermelho não é cor para qualquer um não, brô...

Vermelho é cor da vanguarda. Da coragem e da bravura. Da ousadia e da liderança.

Tá, é senso comum que é a cor da luxúria, da usura, e etc. Então eu concluo que é uma cor inquestionavelmente bipolar, hehehe...

E para aqueles que apreciam esta cor e, assim como eu, não vivem sem ela, segue uma escrivinhação minha de uns anos atrás.

Nada genial, só prá ajudar a passar o tempo.

É sem vírgula mesmo. Porque o "vermelho" em questão é adjetivo, e não substantivo. Estou pedindo para o que quer que seja vir em vermelho, coberto de vermelho.  Veja só:


Vem vermelho

Vem vermelho
Vem carmim
Vem vestido de cetim

Me marcando
Me mordendo
Vem matando
Vem morrendo

Vem vermelho
Em magenta
Vem no fogo que me atenta

Vem chorando
Vem sorrindo
Me chamando
Seduzindo

Vem vermelho
Escarlate
Me consuma e me mate

De desejo e de torpor
Seu prazer é minha dor.

2006.