Uma vez meu pai me disse que eu sou um vulcão com vontade de vencer. Eu digo que sou um vulcão em erupção constante, rs. Não sei qual acidente de percurso fez uma menina quieta, tímida, que se achava a escória do universo, se tornar uma mulher tão impetuosa e segura de si. Acho que na infância o vulcão estava adormecido...
Mas o que importa é que hoje estou em plena atividade. A vantagem de ser um Vesúvio ambulante é que eu explodo coisas boas também. Afinal, nem só de destruição vive um vulcão. Há a beleza da erupção para observar, a magnitude da natureza em toda a sua pujança.
Bem, sou escorpiana com ascendente em Leão. Boi no horóscopo chinês. Ou seja, uma ameaça à sociedade! Sou a segunda de uma prole imensa, tenho dois irmãos de parte de pai, dois por parte de mãe e uma mais velha de pai e mãe. O divórcio rendeu seus frutos, afinal. E dos bons.
Tenho por isso três pais e três mães. Os pais de verdade, os avós maternos (que nos criaram boa parte do tempo em que minha mãe trabalhava na polícia) e os pais postiços (paidrasto e mãedrasta). Amo todos com uma força tamanha que posso dizer que sou a filha de pais divorciados mais feliz do mundo.
Fui educada em escola pública. No colégio, conheci a literatura e os concursos literários, os quais me proporcionaram experiências mágicas que, apesar de estarem dormentes em algum lugar do passado, de quando em vez me visitam (e me fazem sentir a aluna esquisita do CEPAV que raspava a cabeça e usava a estrelinha do PT), me instigando a escrever de novo...
Também na adolescência conheci Cazuza, Raulzito e o bom e velho rock´n roll. O que se misturou ao gosto pelo samba de raiz, que marcou a infância através das rodas de samba no quintal dos meus avós que alegravam as festas de aniversário (e que continuam até hoje).
Esse samba deu em muita coisa boa. Aprendemos todos a batucar qualquer coisa que vier pela frente, rs. E também conheci meu noivo por isso. Ele começou a frequentar os churrascos no meu vô prá cantar e tocar, convidado pelo meu primo. Deu no que deu, rs.
Aos 12 anos eu conheci o Espiritismo. A família paterna já era espírita, mas eu não seguia nenhuma religião porque minha mãe nunca me orientou a isso. Através de uns romances espíritas que minha madrinha deixou para minha mãe ler num dezembro de 99, eu caí de cabeça em Kardec e nunca mais saí. Arrastei todo mundo que pude ao centro, e minha irmã mais velha foi minha grande companheira nessa jornada.
Foram dez anos de atividade no centro. Chegamos a assumir a coordenação da mocidade, dois anos antes de sairmos de vez... Depois de muita crise existencial, conheci o Espiritismo Ortodoxo, e fiquei nessa por um ano, até que o coração começou a bater forte de novo com os atabaques...
A família de minha mãe tem os pés fincados na umbanda, e mesmo não frequentando lugar nenhum há muitos anos e nem praticando nada, todos têm uma espiritualidade extremamente desenvolvida. E hoje cá estou eu. Sem abandonar o estudo de Kardec, contudo cada vez mais envolvida nesse mundo literalmente mágico.
Filha de Iemanjá, gosto de ter todos sob minhas asas. De cuidar, de proteger, tutelar... O sentimento maternal é tão forte, que chego a ser insuportavelmente inxerida na vida dos que me cercam. Não é por mal, é pela vontade de fazer o bem àqueles que amo...
Amo ficar com a minha família, sou extremamente caseira e, se não fosse tão ambiciosa, seria a perfeita dona-de-casa. Adoro cozinhar, e não meço esforços prá deixar minha casa arrumada e limpa sempre.
Para me divertir, gosto de teatro. Troco uma peça por outro programa brincando. Não sou vidrada em cinema, e tô sempre por fora do que rola nos telões. Também gosto de ler, mas a faculdade me tirou o tempo e disposição prá ler qualquer coisa senão as bibliografias do meu curso...
Faço Relações Internacionais na PUC-SP, sou bolsista integral pelo ProUni. Uma história longa me levou até este curso. Dei muitas cabeçadas, fiz muitas burradas, mudei de planos mil vezes e tive muitas frustrações. E graças a elas me enchi de coragem para tomar uma atitude e buscar finalmente minha graduação. Mudei de opinião passando por Ciências Sociais a Letras, e hoje posso dizer que estou bem satisfeita com RI.
Satisfeita, e não realizada. Porque sei que tanto Ciências Sociais quanto Letras me realizariam plenamente. Mas estou pensando seriamente em uma pós-graduação em Ciências Sociais. Eu sonho em fazer carreira pública, e penso muito em política. Carreira acadêmica nem pensar, sou pragmática demais prá isso. Me realizo é colocando a mão na massa e fazendo acontecer.
Morei sozinha por dois anos, e foi uma experiência única. Sempre me achei uma pessoa responsável, mas só com essa experiência assim me tornei de fato. A gente acha que morando com os pais sabe fazer tudo. . Mas o peso da responsa quando você mora sozinho é muito maior. Os problemas passam a ser seus, e de mais ninguém.
A minha mudança foi minhas roupas, um chuveiro e um colchão inflável. Fui na cara e na coragem. Hoje o apto está todo mibiliado, graças não só a mim, mas ao Gam, meu noivo. Ele veio morar comigo no início deste ano, e com ele conseguimos terminar de mobiliar. Deus, como é suado começar tudo sem ninguém bancando...
Hoje estamos planejando o casamento e comprar uma casa no ano que vem. Sou obcecada por organização e decoração de eventos, e isso vai ficar bem perceptível aqui, rs. Aliás, sou obcecada por tudo que gosto, o que é uma característica bem forte de meu DDA (Sim, tenho DDA e em um post eu comento mais sobre isso).
Ufa, cansei. Tenho certeza que tomando um arzinho e voltando pro PC eu escrevo ainda muito mais. Mas isso não é uma autobiografia, e já extrapolei os limites da paciência de quem me lê, rsrs. Que o blog cumpra com seu papel e mostre tudo o que não coube aqui.
Seja bem-vindo!