17 de fevereiro de 2011

Nóis aqui tra veiz

Este deveria ser um post reinaugural. Daqueles que vêm fazendo festa, mexendo as cadeiras desavergonhadamente. Que escancara as notícias que ficaram tanto tempo encubadas na esfera privada. Este deveria se um post-parto. Daqueles que cospem de lá do fundo do baúl o que ficou semanas remoendo, crescendo, encarnando, tomando forma.

Mas, só prá chatear*, este post não será nada disso. Será um post do contra. Daquele que, prá provocar qualquer cristão, muda de canal bem na hora do crássico parmera x curíntia. Então, como frustrar as expectativas alheias é um dos passatempos mais legais dessa minha vida desenxavida, vamos ao que interessa: ÓI NÓIS AQUI TRA VEIZ!



Agora eu vou fazer o que eu mais gosto: meter a fuça naquilo que não sou especialista nem de perto. Enfim, eu acho o Adoniran Barbosa um gênio. Qualquer pessoa que tente escrever imitando a língua das ruas, vai cair no plágio. Puta sacada a desse cara...



Adoniran Barbosa


Mas, antes desse tal Adoniran (João Rubinato, seu nome verdadeiro) da década de 1950 começar a cantar a vida do povo na língua do povo, já na década de 1920 um intelectual se escondia igualmente sob um pseudônimo plebeu, escrevendo com uma língua mestiça, errada e indigna do povo dos arredores do Brás, Bela Vista e Bom Retiro.

Diferentemente de João Rubinato, Alexandre Marcondes não tinha descendência direta de italianos. E, também diferente de Adoniran, Alexandre teve o berço confortável de sua família. Mas, por uma razão desconhecida, ele fez parte da realidade das ruas, das feiras, do cotidiano paulistano.

Juó Bananere


O dialeto macarrônico de Juó Bananére era revestido de humor e sátira. Fez paródias de grandes clássicos da literatura. Por isso eu não sei até que ponto vai a semelhança entre os dois poetas. Adoniran era porta-voz do povo. Juó esculhambava com os dinossauros da literatura. Mas pode ser que, no fim das contas, a intenção dos dois tenha sido parecida. Ou não. Vai saber. Rsrsrs...

Paródia de Juó Bananère ao poema "Canção do exílio" de Gonçalves Dias



Migna terra tê parmeras,

Che ganta inzima o sabiá.

As aves che stó aqui,

Tambê tuttos sabi gorgeá.

A abobora celestia tambê,

Che tê lá na mia terra,

Tê moltos millió di strella

Che non tê na Ingraterra.

Os rios lá sô maise grandi

Dus rios di tuttas naçó;

I os matto si perde di vista,

Nu meio da imensidó.

Na migna terra tê parmeras

Dove ganta a galigna dangola;

Na migna terra tê o Vap'relli,

Chi só anda di gartolla.



E, prá terminar, deixo o samba-tema desse post. O post que foi uma chateação. Que vai deixar nos meus amigos uma potinha de curiosidade sobre o que aconteceu nessa época de portas fechadas do blog. Mas isso eu deixo pro próximo post. Só prá chatear...


Letra: Roberto Ribeiro